pesadelo

Ontem eu sonhei que estava num pesadelo. Era tarde da noite e um mar de gente no deserto me perguntava o que tinha acontecido, pronde eu ia, aonde quer que eu fosse. Era tarde da noite e me sufocavam de olhares estranhos, expressões que gritavam dúvida, como se eu já não conhecesse a dúvida como um irmão conhece a um irmão. Era tarde da noite e as pessoas não iam embora, elas agora tiravam seus travesseiros de penas de ganso do bolso e circulavam por aí, chutando areia, olhando como se eu tivesse feito algo de muito grave ou algo de nada grave. Era tarde da noite e elas agora cerceavam toda a dimensão do sonho, não tinha escapatória, era mesmo tarde da noite e até mesmo nos sonhos a gente precisa dormir, talvez assim me deixassem em paz. Era tarde da noite e ninguém se calava, perguntavam entre si “quem era aquele?”, “porque ele é assim?”, “o que fizeram com ele?”, “nunca viu um espelho?”. Era tarde da noite e era como eu não estivesse ali, cochichavam, riam de mim, embora, por ora, agora me parecesse que não era exatamente de mim, quem saberia dizer? Era tarde da noite e eu certamente não saberia dizer. Era tarde da noite e nada de amanhecer, nada de acontecer, nada. Era tarde da noite e eu simplesmente virei pro lado esperando cair da cama, se numa cama estivesse, e acordar desse enredo malfadado. Era tarde da noite quando, acreditando estar consciente, perdi a consciência de vez. Era tarde da noite quando aceitei o destino. Era tarde da noite quando abracei o pesadelo e dançamos juntos ao som das risadas daquele mar de olhos. Era tarde da noite. E continua sendo tarde da noite.

carta de amor para quando não sabemos se é amor

A gente fica sem ar de tentar encontrar palavras e nem precisam ser as certas. Podia ser qualquer uma, mas tudo o que eu faço é sorrir. Mesmo que de um jeito enrolado. As frases parecem embaralhar, o fácil fica difícil, o difícil fica impossível. Não é o que ela diz, o que ele diz, é justamente o que ninguém diz. O barulho da resposta que não sai, esse é o som que eu quero morrer ouvindo. É o jeito que você não olha para mim e prefere contemplar o chão ou o céu. O medo de falar algo errado, de não parecer bom o bastante ou apenas bom. Do nada você começa a gostar de contemplar a respiração alheia, como se aquele inspira e expira fosse um filme do Bergman, um poema do Drummond. Você passa a evitar as perguntas óbvias e opta pela timidez dos rodeios. Você não aguenta, melhor, não suporta os dois-segundos-mais-longos-de-toda-humanidade para ouvir o que ela achou, ele achou, daquilo que você nem acredita que tomou coragem e disse, mas tomou e disse. É tão difícil… é a coisa mais difícil. E de repente você se arrepende e deseja não ter dito nada. Você se desespera. Deseja que tudo volte a ser como era antes. E se convence de que o que vocês tinham era o bastante. E que não precisava de jantar, de cinema, de futuro. Pensando bem, se você responder o que eu gostaria que você respondesse, talvez eu queira o jantar, eu queira cinema, eu queira futuro. Dou até um jeito de organizar o raciocínio. Achar conexões que façam sentido. E quando chegar a hora de encostar a cabeça na janela do ônibus, prometo inventar um nome para tudo isso. Mas enquanto esses segundos não passam, me contento em relembrar as covinhas que só um sorriso seu poderia me dar.

fuga

Eu acabo de chegar do fim do hospício, que fica perto do fundo do poço, virando à direita, “faz o contorno até dar de cara com o alçapão”.
Eu acabo de levar um soco, mão cheia e um sopro de vento gelado no rosto, o sangue voando com gosto, manchou os documentos que eu levava pra dar baixa na secretaria de loucos.
Eu acabo de ter um plano: encarnar num moço, meio calvo, voz fina, violonista das 11 até quando o chapéu encher de moedas, bom moço, moço melhor que eu, não vou devolver.
Eu acabo de fugir de dois homens que gritam “pega ele” enquanto disparam raios numa arma de brinquedo, eles, coitados, humanos demais, limitados, nunca me alcançarão.
Eu acabo de acampar do lado de fora da vida, faz frio, mas o céu está deslumbrante, ideal para caçarmos cerejas no bosque enquanto você sorri falsamente fingindo ser um herói que eu mesmo inventei.
Eu, do alto da minha arrogância, não vi o violonista encarnado em mim, sonso, me envenenar com um copo de leite que ele disse ter comprado de uma raposa, ali na esquina do bosque.
Eu tomei o leite achando ser veneno, não sabia o tolo violonista que veneno não mata gente, veneno só mata veneno, e eu guardava uma dose em mim pra uma ocasião especial.
Eu acabo de derrotar o violonista, alérgico a lactose, que trouxa, desabou no meio da rota de fuga e me deixou lá, vitorioso, lúcido, morto.

trem escuro

Existe um trem que passa pelas montanhas nevadas como uma bala, questão de segundos, janelas sempre apagadas. Batizaram-no de trem escuro. Há quem acredite que seja um autêntico trem fantasma, não aquele todo espirituoso, cheio de monstros, humanos vestidos de monstros, que encontramos em pequenos parques de diversão. Um trem fantasma, sim, já que seus passageiros teriam todos morrido, mas de alguma forma continuaram dentro desse trem que continua a caminhar pelos trilhos como se nada tivesse acontecido, como se tudo tivesse acontecido. Seu motorista talvez fosse outro fantasma, ou talvez só estivesse de luto, coitado, e dirigisse na penumbra como gesto de compaixão pelos passageiros que se foram, mas que ali continuavam. Todo dia, toda noite, corrijo, 8 horas e 42 minutos da noite, sem mais, nem menos, o trem escuro, autêntico trem fantasma, passava rápido, questão de segundos, janelas sempre escuras. Há quem jura um dia ter visto uma luz. Uma só janelinha acesa, distante janelinha, um fecho de luz. Um pequeno ponto brilhante no terceiro vagão, de doze vagões; talvez não fosse um trem fantasma, afinal. Essa luz na época foi o assunto do dia, o da semana e o do mês. Passaram os meses e a luz no trem passou de assunto para boato, e de boato para mentira foi questão de tempo. O garoto que viu a luz hoje seria um homem formado que, se vivo, caminharia todo dia para o vão entre as montanhas mais próximas, o suficiente para ver o trem passar, ainda todo escuro. Um dia encontraram o corpo do menino numa estrada ali perto, duas milhas corridas longe da cidade. Havia uma estranha luz em seus olhos. Seu enterro foi marcado para as 8 horas e 42 minutos da noite seguinte. Ninguém compareceu.

os dois joão

Eram quase 18 horas daquele dia quando a mãe, sem unhas de tanto roer, apareceu na delegacia com uma foto do filho no celular, “dotô, pofavô, ele sumiu”. O delegado, que de doutor nada tinha, perguntou se isso já acontecera outras vezes, ao passo que a mulher afirmou que nunca tinha acontecido, ele sempre chegava da escola, almoçava, jogava no computador, “tudo o que um garoto de 9 anos sempre faz, dotô”. Delegado Mathias, que de doutor nada tinha, embora tivesse prestado vestibular para Medicina e falhado miseravelmente nisso, concordou com a cabeça e fez votos, votos não, promessas, de que João, esse era o seu nome, seria encontrado ainda naquele dia, que começava a escurecer. Naquela mesma manhã, por volta das 6 quase 7 horas, João pegou o lanche, não penteou o cabelo e decidiu que caminharia até a escola que ficava não muito distante, a 2 quadras dali, “eram 3”, corrigiu o delegado. Uma criança de 9 anos não deveria andar sozinha até a escola, pensou o delegado, mas não fez questão de deixar claro que seu filho, de 8, ia para a escola de van e, se tivesse o outro João ido de van, as chances de encontrá-lo desaparecido seriam bem menores. João, também era o nome do seu pequeno, coincidência. Faria 9 em fevereiro, uma graça, já chutava como o pai, embora tivesse o nariz arrebitado da mãe. Voltando ao João alheio, perguntou novamente se a mãe tinha ligado na escola, na casa dos coleguinhas de sala ou procurado direito, porque como ele bem sabia, crianças, especialmente meninos, gostavam dessa brincadeira de se esconder – seu João tinha passado uma tarde dentro da máquina de lavar porque achou que o banho de chuveiro não era aventureiro o bastante. Não nessas palavras, claro. Mas era isso que ele entendia de “esse banho é muito chato” e sentiu uma ponta de orgulho porque o filho seria provavelmente um atleta ou um desses caras que saíam em revistas de aventura, dessas que o delegado lia no banheiro da delegacia. Quando criança, sonhava em ser alpinista. Aos 12, caiu de uma escada, quebrou o braço e decidiu que era mais do chão. Aos 20, desistira de ser médico e decidiu ser policial, uma espécie de aventureiro mais, assim dizia, porque assim optara, “pé no chão”. Nunca chegou a atuar em campo, caçando ladrões pela cidade naqueles luxuosos jipes blindados, mas se acostumou ao trabalho prosaico, mas importante, o chefe sempre o lembrava, que fazia no escritório. Não havia nada de errado em gostar de trabalhar com papéis e, sempre que pensava nisso, estufava o peito como se afirmasse pra si que ele, o garotinho prodígio do papai, realizou-se na vida, agora era casado e pai de João, como já se sabe, João na verdade faria 9 anos em março. Mathias nunca fora bom com datas. Mathias era bom com papéis, mas já se sabe isso também. Só não sabíamos por onde andava o outro João, o de 9, filho da mãe desesperada que agora andava impaciente enquanto o delegado fazia ligações. “Seu filho, João, está em minha casa, minha senhora, ajudando meu João com o dever de casa”. Mais tranquila, aquela senhora sairia às pressas da delegacia, não sem antes perguntar o endereço da residência do delegado. “Moro no 26, no mesmo prédio da senhora, minha senhora, achei que se lembraria de mim.” A mulher agradeceu a informação, a primeira metade dela, ignorando completamente a segunda. O delegado acenou. A senhora, mãe de João, 9, não chegou a perceber. O delegado, pai de João, 8, caminhou até a mesa mais próxima, folheou uma revista de aventura e parou numa foto especialmente vibrante que mostrava um alpinista de braços fortes e tatuados, semblante vitorioso. Mathias, que era mesmo mais do chão, desabou.

afogá-lo-ei

Pode chorar nesse rio
que outrora servia de programa vespertino pra nós dois
lembra quando passávamos as tardes fingindo
que morreríamos aqui afogados em alguma catástrofe romântica
quão tolos e tontos e bobos éramos
mas há quem diga que era só amor.

Chore por mim um rio todo
encha os pequenos lagos
faça com que as roseiras cresçam sentindo “isso”;
dizem que é tristeza, e que é a mais bela das coisas que não se deseja sentir
então faça com que sintam por nós.
Sem piedade, não ousemos desfilar compaixão
primeiro as amarelas, depois as brancas, por fim as vermelhas.

Faça do jardim,
a maior lembrança de você e eu
uma que eu não possa querer
queimar em plena seca,
os galhos frágeis não suportariam tal consideração
que culpa tiveram, pobres coitados,
a estação já não lhes é favorável
não possuem essa culpa, não são proprietários
do único filho que gerado foi.

Mergulhe de uma vez e não prenda a respiração
sinta-se partir, fugaz
para um lugar bucólico
outrem chama,
o desespero entra pelos ouvidos e sai pelo nariz
suas entranhas agora são líquido, aquiete o desespero
é como voltar a nascer,
líquido.

Você parte sem ter sequer a chance de olhar pra trás
as pontes foram todas queimadas
não existe mais a chance de reconstruí-las
são poeira e um pedido
você grita, eu me ducho
você chora, não lhe acudo
e se não for pedir demais
que chore nas plantas, por favor.

fila

De pulo em pulo, tiro em tiro, chego no paraíso. Fila. Ninguém sabe dizer se é pra entrar, pra sair, se estão por esperar um lançamento imobiliário celestial ou um novo restaurante ortomolecular. “Não sei, mas deve valer” – me diz o senhor com uma tatuagem de cereja no pescoço. Flutuando sob as cabeças novatas do recinto, um cubo branco mostra imagens de anjos ao redor do que parece ser um demônio em jaula, recém-capturado. Batem palmas, gritam, urram como alcateia de lobos ora faminta, ora sedenta. “Abençoe essa presa, senhor” – escuto quando dou meia volta e caminho, sem referência nenhuma, para longe da fila que podia muito bem ir daqui ao céu, se aqui já não fosse o céu.

Há algo de ordinariamente enganoso em como vendem o sujeito céu. As nuvens não parecem algodão, não há lagos, árvores, não há sequer um dizer avisando que você está ali, uma placa com letreiro em ouro ou bronze avisando que aquele lugar é, sim, um lugar e esse lugar é especial. Não há nada de muito especial. Pessoas aparentam estar felizes, confesso. Há mais sorrisos, por certo. É mais difícil, entretanto, distinguir as razões por trás de cada sorriso. Uma epidemia de maxilares travados, teorizo, e dói só de olhar. Não me parece haver qualquer tipo de conflito, uma briga sequer, mas eu bem sinto falta de brigar com alguém, algo, algum. Desferir um soco, um mata-leão, ou mesmo receber um. Há um quê de poético na forma como as brigas se dão: a discórdia, a inoperância, a ignorância, as diferenças em si. Tudo isso gera bons contos, histórias para passar adiante. Gera dor, sofrimento, angústia, claro, mas pensei que o céu seria um prêmio, não um “prêmio”. E aqui as aspas me soam traiçoeiras. Esperava só o bônus, o ônus me parecera terreno demais pra se infiltrar por essas bandas. Ledo engano. Isso daqui não rende livros, com algum esforço, no máximo, gera um roteiro de novela das sete. Sem os descamisados, sem o humor escrachado, e com começo, meio e final feliz. Acho um porre. Quero ir embora. Não estava a fim de interpretar o vilão.

 

medo de quê?

De que te amarrem e você não possa correr pros braços da mamãe?
De que te prendam num porta-malas sem vista para o computador?
De que te levem suas roupas e que viver pelado seja sua única opção?

Medo de correr sem parar e tropeçar e cair e quebrar um dente?
De ter que viver sem dente e com todos rindo com dentes de você?
De esfolar o rosto e todos te verem assim, sem máscara nenhuma?
De que demore pra cicatrizar e que você fique com uma cicatriz?

De que te roubem seus bens e você tenha que comprar outros pra repor?
De que te façam mal e que não haja quem possa lhe fazer justiça?
De que te acusem injustamente de algo que você não fez por merecer?
De você não merecer uma promoção, um adiantamento, uma demissão?
Medo de chegar em casa, abrir a porta do quarto e se deparar com uma traição?

De que te chamem de bicha, de louco, de noiado, um retardado?
De que te achem gorda, vadia, uma aleijada sem reparação?
Que te achem estranho demais, normal demais, medíocre, só mais um?
Medo de desafinar, de dançar mal, de errar o tom, o passo?
Medo de cair num buraco?

Medo de não achar uma luz?
Medo de não achar a saída?
Medo de ficar sozinho, esquecido, preterido?
Medo de ser continuamente rejeitado?

De sair de casa e não ter uma casa pra chamar de casa?
Medo de entrar no mar e se afogar?
Medo de pular de paraquedas e o paraquedas não abrir?
Medo de um acidente em terra?
De um desastre em ar?
Medo de ir embora e perder o seu espaço?
Medo de não poder conviver mais com quem já vai partir?
Medo de apenas sobreviver nesse lugar?

Medo de dizer que ama alguém?
De que quer transar?
De que não quer mais?
Medo de deixar pra trás porque você queria demais?
Medo de assumir que esse sonho acabou?
E o medo de assumir que falhou?
E de perceber que você merece mais?
E o medo de se machucar?
E o medo de ser feliz?
Ou de tentar ser feliz?
Ou de não precisar tentar ser feliz?

E o medo que vem da indecisão?
E o medo da incapacidade?
E o medo da ignorância?
E o medo da raiva, do ódio, do não-perdão?
E o medo de sentir medo?

Afinal, que medo é esse que você tem dentro de você?

sentados

Sentado ao seu lado
nesse jardim de cruzes e santos
te pergunto o que você pretende fazer
mas você finge não saber.

Não consigo olhar nos seus olhos
mas sinto sua presença em mim.
Você anda por aí
dizendo que não deu
que foi assim
porque tinha que ser.

Não entendo porque você se foi
mas fico feliz que ainda possamos nos ver
nos encontrar toda noite
quando pulo a sua grade
e, sorrateiro, dou a volta
pra ver você
nunca debaixo de mim
e eu nunca por cima de você.

Sentado ao seu lado
pergunto o que aconteceu
mas você não responde
parece nunca entender
que o que eu quero
é não perder de vista
não ficar cego de novo
não depender dos seus sinais
do meu sintomático receio
ostensivo medo
de te perder
mais uma última vez.

O santo ao nosso lado sorri
parece querer nos dizer
que a hora chegou
eu não saberia dizer
você saberia dizer
você sempre soube o que fazer.
Sempre fui o perdido dos dois
o confuso entre nós
o mutável por si
o inconstante de ti.

Te vejo uma outra hora, amor
longe das cruzes
rodeada de anjos
como eu sempre te vi, amor.
Embaixo da árvore
sentada ao meu lado
orando por nós
olhando pra mim
e eu pra você.

eu, capataz

Eu me sento nesse inóspito jardim
e prefiro que seja bem inóspito assim.
Um lugar pra colocar as ideias da mente,
de vez, dessa vez pra fora do seu lugar.

Encostar as costas num salgueiro
Deixar que seu áspero caule encontre os ossos
E que faça o favor de torcê-los, até que fiquem vermelhos,
não me importo, faço gosto desse jeito.

Eu quero é me sentir vivo, mesmo que na dor
Apreciar o verde desse mundo esquecido
De onde fugi, e pra onde pretendo voltar.
Por ora vai parecer incoerente, ora, eu sei,
mas isso é tudo e simplesmente tudo o que desejo.

Num fim de tarde como esse, noite apontando,
nada mais importa, só o amargo gosto da relva
O aroma das águas que descem o destiladeiro
E que levem embora os sonhos velhos, não os quero.
Que se afoguem, pentelhos, não os quero.
Imploro, por favor, eu não os quero mais.

Não sei mais o que esperar
Oh céus, mande um sinal que não seja raio
Mensagem tão barulhenta quanto trovão
Pra que eu ouça mesmo enquanto cochilo
Enquanto reencontro os planos, todos clamando
por um novo e virtuoso recomeço.

Que ele venha num lugar assim, inóspito mesmo
Que seu anunciado anonimato quebre as correntes
As bolas de ferro que carrego na indisciplina
Imploro e me ajoelho, se assim for preciso
É preciso? É tudo isso pedir muito?
Eu preciso de um novo habitat,
um novo lugar para seu capataz.