amigos da encruzilhada

Os quebradores de almas
em nada se assemelham aos encantadores de sonhos.

São como saqueadores
esperando por uma vulnerabilidade qualquer
algo que tire de você o que consideram que você não mereceu.
Ariscos no gatilhos
são como cowboys em duelos no faroeste
esperando a hora de atirar
enquanto a cidade assiste um nobre cavaleiro se consagrar
e o outro partir pra uma outra, qualquer outra.

Os encantadores de sonhos
tampouco são parecidos com os quebradores de alma.

Agem à luz do dia
dando corda para que se vá atrás do coelho branco
oferecendo também um banquinho pra se enforcar.
De gravatas, sapatos de bico fino
e sorrisos de meia lua a contragosto
discursam das oito às cinco
por vezes seis, sete, oito
vendedores natos, assistindo sua rendição pelo desgosto.

Os quebradores de alma são de correr.
Apreciam a dor rápida
o tiro, um atropelamento
a pressa, o grito.
Você se vai e nem vê.

Os encantadores de sonhos são de esperar.
Cultuam a dor lenta
a cama do hospital, a mágoa e a depressão.
Você morre aos poucos
tocando a vida, no silêncio
meio assim sem entender.

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