cactos

Todas as coisas que sonhei foram empacotadas em caixas velhas, esquecidas em lugares passados ou simplesmente atiradas de um carro alugado em alta velocidade no meio de um deserto.
Se transformaram em cactos e agora alimentam a poeira, passam o tempo vendo algum transeunte passar. Não entendem sua pressa, mas quando param para olhar, usam espinhos como presas – grossos cascos que protegem o que veio para machucar.
Não necessitam de água, pelo menos não mais para sobreviver. Ainda são sonhos, só se encontram velhos, mal cuidados, ainda não prontos para um novo lar, um homem responsável por si.
Quando recuperados, renascem de outra combinação essencial que não H, O e H. Há quem se permita chamar isso de fé. Confesso que não sei nomear algo que se quebra de repente por encanto, nos desencontros que a vida rotineiramente programa sem nos convidar.

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