carta #1

É Natal aqui na casa de praia. Sei que ninguém perguntou, mas achei que devia avisar para que os presentes não atrasassem mais. Ainda não ganhei aquela prancha de surf, aliás, nem mesmo tive as aulas que prometi que ia tomar. Me matriculei, mas no dia choveu. No dia seguinte fez sol, mas daí já não queria mais.

Quando for enviar o meu presente, não esqueça de enviar um cartão também. Adoro cartões. Só escreva com letra legível, por favor. Não sou bom em adivinhar garranchos e nem tenho a intenção de ser. Quando for escrever o cartão, lembre-se de escrever com carinho. Ando carente de afeto que não seja o do sol desde que me mudei pra cá. Se puder me desejar felicidades e dizer que está morrendo de saudades, fique à vontade. E venha me visitar, se assim preferir.

Quando vier me visitar, traga roupa de banho, protetor, óculos de sol e muita paciência. Não há muito o que fazer por aqui. De vez em quando uns pássaros aparecem e fazem uma performance bastante particular. É época de estiagem.
Seremos poucos, pois: dona praia, seu mar, nós dois e um relógio que custa a trabalhar. É o que posso oferecer, é tudo que pretendo, a partir de agora, poder dar.

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