doze cavalos

Não há verde hoje por essas bandas. Ele não acordou ou se perdeu por aí.
Assim, a floresta amanheceu metade cinza, outra metade azul – e hoje eram só os dois a contemplar.
Os lagos não sentiram a diferença, a neblina também não viera a notar. Foi assim que recepcionaram os 12 cavalos que por ali estiveram a passar.

O primeiro, fascinado pela beleza das águas, não percebeu onde estava a caminhar. Por onde 12 cavalos passaram, um ali resolvera ficar.
Dos 11 que chegaram à ponte, só 9 saíram de lá. Dois se amedrontaram na altura e resolveram por ali acampar.

O morro adiante era íngreme, daqueles montes que alpinistas corajosos escalavam na tevê. Sua terra era úmida e macia, para o qual 3 deles deram as costas e correram em direção ao não se sabe bem o quê.

Os 6 cavalos subiram o morro, mas um se apaixonou pela vista de seu topo e só 5 desceram de lá.
Uma fatalidade, entretanto, fez com que só 4 a quatro patas continuassem, porque um tivera que deitar.

De luto e coragem no dorso, os 4 cavalos viraram 3, quando na calada da noite um resolveu desistir. Ou dormir, não quiseram os outros 3 perguntar. Até mesmo porque não saberiam diferenciar.
Ao avistar um penhasco, um deles se abateu e resolveu ao quarto procurar.

Os 2 cavalos se olharam e consentiram em uma saída buscar. Deram a volta no penhasco até notarem que esse caminho nunca ia chegar. Um cavalo esperou amanhecer e diante do sol resolveu pular.
O outro cavalo, o 1, começara então a relinchar.

Lembrando que um dia foram 12 os cavalos, viveu a vida toda sozinho por lá. E toda noite, quando a lua aparecia, relinchava aos prantos pelos amigos que deixara pra trás.
Seu som era triste e bonito, história que um dia viraria cinzas, que a floresta, num dia sem verde, iria por fim enterrar.

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