eu, capataz

Eu me sento nesse inóspito jardim
e prefiro que seja bem inóspito assim.
Um lugar pra colocar as ideias da mente,
de vez, dessa vez pra fora do seu lugar.

Encostar as costas num salgueiro
Deixar que seu áspero caule encontre os ossos
E que faça o favor de torcê-los, até que fiquem vermelhos,
não me importo, faço gosto desse jeito.

Eu quero é me sentir vivo, mesmo que na dor
Apreciar o verde desse mundo esquecido
De onde fugi, e pra onde pretendo voltar.
Por ora vai parecer incoerente, ora, eu sei,
mas isso é tudo e simplesmente tudo o que desejo.

Num fim de tarde como esse, noite apontando,
nada mais importa, só o amargo gosto da relva
O aroma das águas que descem o destiladeiro
E que levem embora os sonhos velhos, não os quero.
Que se afoguem, pentelhos, não os quero.
Imploro, por favor, eu não os quero mais.

Não sei mais o que esperar
Oh céus, mande um sinal que não seja raio
Mensagem tão barulhenta quanto trovão
Pra que eu ouça mesmo enquanto cochilo
Enquanto reencontro os planos, todos clamando
por um novo e virtuoso recomeço.

Que ele venha num lugar assim, inóspito mesmo
Que seu anunciado anonimato quebre as correntes
As bolas de ferro que carrego na indisciplina
Imploro e me ajoelho, se assim for preciso
É preciso? É tudo isso pedir muito?
Eu preciso de um novo habitat,
um novo lugar para seu capataz.

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