noites sem lua

Não há um brilho sequer enquanto percorro essa estrada. Os postes viajaram, os vagalumes se foram, o fogo enjaulado foi. Não há mais nada que guie as direções, não há placas que apontem o sentido, não há luzes, nem mesmo as de fim de túnel.
O cego andar na calada de um dia sem luz é um absurdo desejo de encontro. Que derramem aqui, agora, se necessário, todo o sangue de minhas lutas. Um baque surdo e desejo atendido: cá estou no chão. Deitado, olho para o céu. As estrelas não brilham mais. Não há aviões de passagem, não há torres emitindo um sinal. Não há sintoma de que eu possa me levantar. Mas me levanto mesmo assim. E prossigo, caminhando ordinariamente por uma dessas noites sem lua.

One response to “noites sem lua”

  1. Cara, isso é muito, muito bonito.

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