sentados

Sentado ao seu lado
nesse jardim de cruzes e santos
te pergunto o que você pretende fazer
mas você finge não saber.

Não consigo olhar nos seus olhos
mas sinto sua presença em mim.
Você anda por aí
dizendo que não deu
que foi assim
porque tinha que ser.

Não entendo porque você se foi
mas fico feliz que ainda possamos nos ver
nos encontrar toda noite
quando pulo a sua grade
e, sorrateiro, dou a volta
pra ver você
nunca debaixo de mim
e eu nunca por cima de você.

Sentado ao seu lado
pergunto o que aconteceu
mas você não responde
parece nunca entender
que o que eu quero
é não perder de vista
não ficar cego de novo
não depender dos seus sinais
do meu sintomático receio
ostensivo medo
de te perder
mais uma última vez.

O santo ao nosso lado sorri
parece querer nos dizer
que a hora chegou
eu não saberia dizer
você saberia dizer
você sempre soube o que fazer.
Sempre fui o perdido dos dois
o confuso entre nós
o mutável por si
o inconstante de ti.

Te vejo uma outra hora, amor
longe das cruzes
rodeada de anjos
como eu sempre te vi, amor.
Embaixo da árvore
sentada ao meu lado
orando por nós
olhando pra mim
e eu pra você.

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